
alergia e cotidiano
vacinas imunoestimulantes atuam contra as alergias?
Quando falamos de imunoestimulantes (ou imunoestimuladores), é natural pensarmos em algo que fortaleça a imunidade. Mas como isso realmente funciona?
Esses medicamentos ou vacinas atuam reforçando o sistema imunológico, aumentando a atividade de componentes específicos da nossa defesa natural. Este sistema é uma rede complexa de células, tecidos e órgãos que, quando trabalham em harmonia, ajudam o corpo a combater desequilíbrios imunológicos, infecções e outras doenças.
Dentro dos imunoestimulantes temos duas principais categorias, sendo elas:
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Imunoestimulantes específicos: estimulam uma resposta imunológica a um agente específico (uma determinada toxina ou micróbio que estimula uma resposta imune no corpo de uma pessoa). Exemplos clássicos são as vacinas que tomamos em postos de saúde como as de sarampo, febre amarela, hepatite B ou as anuais contra a gripe.
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Imunoestimulantes inespecíficos: agem independentemente da especificidade destes agentes e são usados em condições em que o sistema imunológico não funciona adequadamente, tornando a pessoa mais suscetível a infecções, como no caso de imunodeficiências. Exemplos populares destes imunoestimulantes incluem alguns fitoterápicos, suplementos, probióticos e as chamadas vacinas estimulantes.
Um exemplo de vacina imunoestimulante inespecífica é a VERIC-DI (Vacina Estimulante da Resposta Imune Celular – Desvio Imunológico). Desenvolvida com base em estudos iniciados na década de 1970, ela utiliza de extrato de proteínas derivadas de bactérias como a Mycobacterium bovis e a Propionibacterium acnes para ativar certos componentes do sistema imunológico, especialmente as células chamadas de linfócitos T do tipo Th1.
Esta ativação ajuda a reequilibrar o sistema de pacientes com baixa imunidade e suscetíveis a infecções de repetição. E podem ser úteis também, como veremos a seguir, para alguns casos de doenças alérgicas.
para quais doenças as vacinas imunoestimulantes, como a VERIC-DI, são indicadas?
A principal função dos imunoestimulantes é melhorar a capacidade do sistema imunológico de reconhecer e combater agentes infecciosos (como vírus, bactérias, fungos e parasitas), toxinas e células anormais. Pessoas com o sistema imune desequilibrado estão mais suscetíveis a infecções causadas por uma variedade de germes normalmente inofensivos, que são conhecidas como infecções oportunistas.
No caso das vacinas imunoestimulantes, como a VERIC-DI, os benefícios vão além. No geral, se mostram promissoras no auxílio do tratamento de:
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Doenças de pele, como foliculite, acne vulgar, leishmaniose cutânea e alguns eczemas;
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Infecções oportunistas e/ou de repetição, como candidíase, faringites e infecções virais recorrentes.
De fato, entre os usos mais recentes das vacinas imunoestimulantes está o tratamento de doenças alérgicas, como a asma e a rinite persistente. Nessas condições, o sistema imunológico reage de forma exagerada a substâncias comuns do ambiente, como poeira, pólen ou alimentos, provocando sintomas que afetam a qualidade de vida.
Vacinas como a VERIC-DI atuam ajudando a reeducar o sistema imunológico, reduzindo essa resposta exagerada. Elas fazem isso por meio de um processo chamado desvio imunológico, que será explicado no próximo tópico. Esse mecanismo permite que o corpo volte a responder de forma mais equilibrada, diminuindo os sintomas e a frequência das crises alérgicas.
As vacinas imunoestimulantes podem estar combinadas com outros extratos de proteínas específicos, dependendo da sua indicação de uso. Podem, por exemplo, estar misturadas com outros imunoestimulantes, como a vacina de candidina ou de toxóides bacterianos, para potencialização da resposta contra infecções de repetição; no caso do uso para a alergia, normalmente estão misturadas com as vacinas contendo alérgenos (ex.: ácaros ou pelos de animais) e seguem um esquema de tratamento de doses crescentes, que é clássico da imunoterapia antialergia.
como as vacinas imunoestimulantes agem?
As respostas imunológicas frente a agentes externos ao corpo são mediadas por glóbulos brancos chamados de linfócitos T, especialmente os subtipos Th1 e Th2. Os Th1 produzem citocinas (proteínas que atuam como mensageiros químicos no sistema imunológico) que nos ajudam promovendo imunidade eficaz contra vírus, fungos e bactérias; já os Th2 liberam outros tipos de citocinas, essas já envolvidas na aparição de doenças alérgicas como asma, rinite e anafilaxia.
Essas duas respostas se autorregulam. Quando há estímulo para a produção de citocinas Th1, ocorre uma inibição da resposta Th2. Esse processo é chamado de desvio imunológico, e é justamente o objetivo da imunoterapia contra a alergia: reequilibrar o sistema imunológico, reduzindo a hiperatividade alérgica.
Esse tratamento também está relacionado com a chamada “hipótese da higiene”. Esta sugere que o aumento de doenças alérgicas em países industrializados se deve ao menor contato dos bebês e das crianças com microrganismos, o que impediria o desenvolvimento adequado do sistema imunológico do tipo Th1, favorecendo os do tipo Th2 (alérgicos).
Como vimos, além do uso em alergias, os imunoestimulantes também atuam no fortalecimento da imunidade geral. Nesses casos, o objetivo é ativar componentes do sistema imunológico que estejam funcionando de forma insuficiente, como ocorre em pacientes com infecções recorrentes ou imunidade baixa. Vacinas como a VERIC-DI, que contêm antígenos bacterianos, estimulam a produção de citocinas Th1 e a ativação de diversos tipos de células de defesa. Esse estímulo ajuda o organismo a responder melhor a agentes infecciosos, reduzindo a frequência e a intensidade das doenças, e promovendo uma imunidade mais equilibrada e duradoura.
mas é seguro?
Em geral, os imunoestimulantes são considerados bastante seguros. No entanto, a segurança e a sua tolerância variam dependendo do tipo de medicamento, da dose, da condição de saúde do paciente e da forma como ele afeta o sistema imunológico. É fundamental o acompanhamento médico a cada passo do tratamento, já que alguns tipos de imunoestimulantes podem ter riscos maiores.
No caso das vacinas, os efeitos mais comuns incluem reações no local da aplicação, como dores, coceiras e vermelhidão, mas podem ter efeitos sistêmicos, no corpo todo, como febre e fadiga.
Todos esses medicamentos, independentemente do tipo utilizado, devem ter seu uso sempre avaliado caso a caso e indicado por um profissional da saúde profissionalizado. Ou seja, o uso de imunoestimulantes, sejam eles de quaisquer tipos (incluindo fitoterápicos e suplementos de estimulação do sistema imune), não devem ser usados levianamente e devem ser utilizados apenas com prescrição/indicação médica.



